Ao longo de dois anos tenho descrito diversas situações em que eu, no mínimo, me dei mal. Em meio a histórias toscas de
provas no lixo e vôos cancelados, Brille, provavelmente a principal responsável pela expansão do movimento loser, conseguiu se superar ontem.

Quinta-feira a noite eu estava estudando com uma rara dedicação quando a energia baixou. É claro que a luz fraca não me impediria de estudar, pois recentemente levei algo como um choque de realidade ao perceber que meu já carente desempenho escolar estava piorando.
Fazia tempo que eu não estudava tanto.-Gabi, tira o computador da tomada que a energia vai acabar! - minha mãe gritou da cozinha. Mas quem disse que a energia iria mesmo acabar? E número dois, por que ela achou que eu estaria no computador, quando na verdade eu tinha atenção total à História? Talvez a experiência de vida adquirida com a maternidade de dois indivíduos irritantes, é.
Ótimo, minha mãe estava certa e a luz acabou,
exatamente como na véspera do primeiro dia de aula desse ano (o que provocou a primeira aparição pública da
Brille Zumbi no ano letivo).
Brincadeiras com a
espada gedai lanterna extenderam-se até a alta madrugada, assim como as danças ao som das músicas tocadas na Jovem Pan. E quando desisti de esperar alguma iniciativa da companhia de energia, desmaiei na cama.
Como de costume, desliguei o despertador aos primeiros segundos de Heels Over Head e fui curtir meus cinco minutos extras de sono. Resultado? Acordei em pânico. Puxei o celular da cômoda. 7:17. Num dia comum, essa seria a minha reação:

Mas tudo o que eu consegui fazer na hora foi gritar o clássico...

É, a energia não tinha voltado, e consequentemente o despertador da minha mãe não tinha tocado. E o efeito dominó fez com que ela não estivesse acordado e vindo dizer que "se eu não levantasse, chegaria atrasada".
Não levei uma bronca épica, mas meu pai ficou epicamente furioso, resmungando coisas como "sua irresponsável" e "não posso nem tomar meu café agora".

Geralmente eu saio de casa às 7:13 para chegar às 7:19, sendo que a aula começa 7:20. Esse um minuto de folga é para um caso de emergência, como um atropelamento,
emos ou quedas. Mas naquela hora nem meu doutorado em
evitamento de atrasos seria o suficiente. Agora não tenho nem mais a desculpa de que "peguei gripe a gripe do porquinho e tenho que ficar um mês em isolamento." E eu só vi o #endmalaria do Twitter um tempão depois.
Minhas únicas opções eram ficar em casa dormindo ou pegar uma carona com meus pais, já que a chuva continuava. Na minha escola você tem que pagar um preço absurdo para fazer provas de segunda chamada (caso não tenha um atestado), então tudo o que me restou foi a segunda alternativa. E os dois faziam tudo na velocidade tartaruga anciã, acho que só para me estressar ainda mais.
Desci quinze andares sem nenhum tipo de iluminação em três minutos, deve ter sido algum recorde mundial, sério. Nem a minha vida sedentária foi capaz de prejudicar-me. Cheguei na garagem. Tudo o que eu via era... O escuro e o portão aberto. E escutava o barulho forte da água caindo. Quant

os tarados estupradores poderiam estar escondidos atrás daqueles carros? Subi até o terceiro andar como uma louca, imaginando estar sendo perseguida pelos maníacos. Prestes a debulhar-me em lágrimas, liguei para minha mãe, mas meu celular vagabundo estava "fora da área de serviço". O que fazer nessa situação? Claro, gritar. Felizmente ela me respondeu, eu fiz aquela pressão psicológica básica e ela chegou.
Algumas crianças da primeira ou segunda série ainda chegavam a escola naquele horário, no colo de seus pais. Bom, o falso liso da minha franja deve ter se desfeito no momento em que eu corri até a secretaria. Eu não tinha nenhuma esperança de ainda poder fazer a prova naquele dia, mas a
diretora, que conhece o ótimo desempenho escolar da Gabrielle, deu-me a opção de
fazer a prova de tarde, com a turma da tarde, sente minha moral com ela.
Fiquei sentada na arquibancada esperando o sinal da segunda aula tocar, ao lado de uma gordinha que lia um livro entitulado "Paz e Guerra", "Amor e Guerra", sei lá. Me senti realme

nte sem cultura por ler apenas livros destinados ao público de até dez anos e fanfics mais dezoito.
Curti a aula quase desmaiando de fome, e lembrar que eu provavelmente nem almoçaria me deixou numa situação pior. Quando o sinal do fim da aula bateu, aproveitei para acabar com o resto dos meus créditos pra perguntar pra minha mãe se a energia já tinha voltado lá em casa. Eu demoraria no mínimo cinco minutos pra chegar lá, mais cinco pra subir e cinco pra descer depois, e lá se iam meus quinze minutos até o início da prova.
Almocei um alfajor delicioso de procedência duvidosa na cantina da escola, na companhia de uma amiga que eu conheci pela net, a Arissa, e no mesmo ambiente que minhas amigas da sexta série,
indies e garotinhos interessantes.
Foi legal.Vamos ver, depois disso eu fiz a tal da prova na salinha da coordenação, que, aliás, precisa de algum tipo de ventilação com urgência. Se eu peguei alguma doença transmitida pelo ar daquele menininho que estava lá, vou armar barraco lá na escola, er, não.
-São 2:10, que horas é a sua aula de ballet mesmo, Gabi?
Ah, eu me troquei loucamente no carro, devem ter até vídeos no Youtube do meu quase-strip. Eu poderia simplesmente não ir pra aula, mas eu tinha dois bons motivos:
Motivo 1: Não tinha energia em casa, então eu não teria nada pra fazer.
Motivo 2: As meninas loucas do ballet me matariam por eu ter faltado no dia de um ensaio importante, principalmente porque eu mal sei a coreografia.
Como eu prezo pela minha vida
e digo não as dorgas, eu fui né, o que importava era a minha presença, e não o meu rendimento (que foi péssimo, alfajor
não alimenta).
Na volta para o meu adorado lar, eu inclusive encontrei algo parecido com o
elemento do sexo masculino citado no post anterior, com alguns amiguinhos e amiguinh
a. Entretanto, ele não me viu e eu achei ótimo, pois a minha horrenda imagem perante ao eminho tornaria-se pior ainda ao ser vista naquele momento freak e de minisaia. Não, eu ainda não resolvi virar a nova Geyse, embora vocês tenham
motivos para desconfiar.
Quando eram umas quatro e pouco, cheguei no prédio. Olhando pelo lado positivo, o fato da garagem estar
alagada não foi tão ruim assim, pois ao invés de precisar
subir quinze andares, seriam necessários apenas treze. Perguntem sobre esses cálculos estranhos para o engenheiro que construiu o prédio, sou só uma menina
dorgada que recém decorou a tabuada do dois e que não consegue aprender matemática.
Assim terminou
minha inusitada aventura pluvial, fiquei em casa ouvindo música e comendo Pringles com chocolate até a energia voltar.
Analisando o aspecto
sentimental do acontecimento (lá vem a emisse), foi muito bom para lembrar-me de que, embora existam muitas pessoas na escola que me odeiam, também existem algumas que gostam de mim, ou que fingem muito bem. Infelizmente essas pessoas estão no turno da tarde, mas sempre que eu ficar sem energia em casa, poderei ir lá vê-los.
PS: Esse post descreve uma merda tão grande que nem a categoria "merdas" poderia comportá-la. Por isso, criei um novo marcador: Merdas Épicas.
PS 2: Se você chegou até aqui, parabéns. Você conseguiu ler o post mais longo da história do Distance sem dar um tiro no seu pâncreas.


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