Ele já estava com dezoito anos, e dizia que sua vida de estudos acabou. Sua mãe insistiu para que ele fizesse uma faculdade, mas ele disse que queria dedicar-se totalmente a sua banda. Seu talento tocando bateria era grande, porém não admirável. Já o de seus colegas estava perto do horror. As míseras duas vezes semanais em que ensaiavam pouco ajudavam, e sempre terminavam em briga. O resto de seu tempo era passado na frente do computador, em conversas com meninas
de treze ou quatorze anos que conhecia em chats da internet.
“Você precisa fazer algo da vida”, repetia sua mãe.
“Eu não preciso de faculdade, não preciso de nada disso”, respondia ele rispidamente. Seu pai observava tudo de longe, sem pronunciar se quer uma palavra. Ele havia desistido do filho logo no primeiro piercing, que o garoto fazia questão de mostrar em todas as oportunidades, colocando sua língua para fora em provocação.
Seus cabelos escuros com mechas roxas, suas roupas pretas com estampas mórbidas, suas tatuagens e seus all-stars rabiscados com corações e declarações de amor de ex-namoradas faziam dele único, mas ao mesmo tempo igual a tantos outros garotos que fingem ser algo que não são através de um estilo que afasta as pessoas. Ele era absolutamente lindo daquele jeito, mas sua mãe preferia o menino loiro de olhos azuis de seis anos atrás, ele com certeza era mais amável do que o garoto que seu filho era agora.
Talvez logo ele estivesse em turnê pelo mundo com a sua banda e a namorada linda e rica, dentro de seu avião particular. Era o que ele mais queria, embora ele soubesse que dificilmente aconteceria.
Talvez ele complete trinta e oito anos ainda morando com a mãe, solteiro e viciado em drogas.
Ele mentia tão bem para si mesmo que chegava a acreditar que seu sucesso fosse se tornar realidade.
Alguém precisava avisá-lo que ao invés de sonhar ele deveria se preocupar com Melody, a vizinha, que estava grávida de cinco meses e afirmava com todas as forças que o pai era ele.
Parecia que tudo era uma questão de sorte, mas eu sei muito bem que uma música sobre a vizinha que você engravidou será sucesso na certa. Ou não.
Marcadores: emuxos e emuxisses, eu não deveria estar aqui, feito durante a aula, limpa-fossa, pensamentos escondidos, previsões com Madame G (trago a pessoa amada em 43 horas), random, refletindo sobre a vida